Automóveis da Presidência - O Motor da Républica
Estação Ferroviária do Rossio - Lisboa
A exposição “O Motor da República - os carros
dos Presidentes”, organizada pelo Museu da Presidência da República, vai ser
inaugurada no dia 5 de Outubro, por Sua Excelência o Presidente da República na
Estação Ferroviária do Rossio, em Lisboa. Trata-se de uma excelente
oportunidade para conhecer as viaturas que estiveram desde 1910 ao serviço da
Presidência da República, bem como a evolução das suas funções, a visitar até
ao dia 23 de Dezembro.
De meio de transporte revolucionário, na
Primeira República, o automóvel transformou-se, durante período do Estado Novo,
em forma de distinção e dignificação da figura do Presidente da República. O
desenvolvimento tecnológico atingido no período final do século XX, bem como a
gradual alteração na forma de exercício do cargo de Presidente da República,
tornam essenciais atributos como conforto, rapidez, segurança e sobriedade, assegurados
pelos actuais topos de gama dos grandes construtores automóveis. É no fundo a
história da República e das suas idiossincrasias, que é reflectida na atitude
que ao longo de mais de noventa anos o poder político adoptou perante o veículo
automóvel e a sua utilização.
Com a instauração da República em 1910, é
reservada ao Presidente uma função eminentemente de representação, e mesmo essa
é desempenhada com alguma moderação. Neste período, à Presidência da República
foram atribuídos diversos veículos hipomóveis, anteriormente pertencentes à
Casa Real, nos quais foi gravado o escudo da República. Foram utilizados por
grande parte dos Presidentes da I República (1910-1926), nomeadamente por
ocasião das tomadas de posse.
Com a aprovação, por plebiscito, da Constituição
de 1933, é institucionalizado o Estado Novo (1933-1974). O regime defende a
necessidade de dignificar o cargo de Presidente da República, que passou a ter
nas funções de representação um papel bem mais destacado. Paralelamente, o
facto do Presidente Óscar Carmona ter optado por residir no Palácio da Cidadela
de Cascais criou a necessidade de a Presidência da República adquirir novas
viaturas para o transporte do chefe de Estado, mais rápidas e confortáveis do
que os velhos coches da Casa Real.
Assim, no final da década de 1930, diversos
automóveis Packard foram integ
rados no parque de viaturas da Presidência da República, sendo que um deles foi colocado especificamente ao serviço da Primeira-Dama, Maria do Carmo Carmona. Durante o mandato do general Francisco Craveiro Lopes realizaram-se algumas das visitas de maior aparato que decorreram durante o Estado Novo. As viaturas utilizadas foram-se adaptando a este novo contexto. Assim, e de forma a capitalizar estas situações, é adquirido em 1954 um automóvel descapotável, um Cadillac Sixty Two, de grande aparato, permitindo uma maior aproximação da população ao chefe do Estado, durante os cortejos.
Em 1957, a rainha Isabel II retribui a visita
que Craveiro Lopes efectuara a Inglaterra, naquela que foi a mais mediática
visita de Estado recebida em Portugal durante o Estado Novo. Para esta visita,
preparada com o maior cuidado pelo Estado português, decidiu-se adquirir uma
nova viatura de luxo para a Presidência da República, um Rolls Royce Phantom III.
Durante o período em que Américo
Tomásdesempenhou as funções de chefe do Estado (1958-1974) o número de visitas
oficiais foi reduzido. Foram adquiridos Carros de caixa fechada que permitiam,
em condições de grande conforto, realizar deslocações de longo curso. Chegaram
à Presidência da República um Rolls Royce Phantom V, um Vanden Plas Princess, e
mais tarde um Mercedes 600 S Pullman.
Durante os mandatos de António de Spínola e
Costa Gomes são ainda utilizadas as viaturas adquiridas, em 1973, para o Presidente
Américo Tomás – os Mercedes 280 SE e 350 SE – no entanto, são tempos agitados
os que se vivem, e se durante o período presidencial de António de Spínola
ainda se realizaram algumas visitas pelo país, já o mandato de Costa Gomes foi
mais centralizado em Belém e nos contactos internacionais.
Com a eleição do Presidente da República,
general António Ramalho Eanes, vem normalizar a actividade presidencial, sendo
retomadas as frequentes deslocações do Chefe do Estado pelo país, que se somam
a intensos contactos internacionais. No entanto, apenas no início do segundo
mandato de Ramalho Eanes é adquirido um novo automóvel, um Citröen CX 2400
Prestige. Neste período destacam-se as visitas a Portugal do Papa João Paulo II
em 1982, última ocasião em que o Rolls Royce Phantom III é utilizado em serviço
oficial, e da rainha Isabel II de Inglaterra, em 1985, em cuja ocasião é usado
o Rolls Royce Phantom V.
Em 1986, a eleição de Mário Soares para a chefia
do Estado marca o regresso ao cargo de um civil, após 60 anos de presidentes
militares. Este é um período em que se acentua a tendência, já registada desde
a década de 1970, para uma maior sobriedade no que respeita às viaturas que se
encontram ao serviço do Presidente da República. No primeiro ano do mandato é
adquirido um Citroën CX 25 Prestige; em 1990, um Mercedes 560 SEL; e em 1992 um
Mercedes 600 SEL. Só em 2000, durante a presidência de Jorge Sampaio, são
novamente afectas viaturas para o serviço do chefe do Estado, com a aquisição
de um Audi A8 LWB 4.2 TIP e de um Mercedes S 600, actualmente ao serviço do
Presidente Aníbal Cavaco Silva. No final de 2005, um BMW 760 Li é adquirido, e
passa a integrar o parque automóvel da Presidência da República.
in Museu da Presidência
Para quem não teve oportunidade de lá ir.
Por: Francisco
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