Citroën CX Break
O Citroën CX Break (popularmente batizado em Portugal como a carrinha "Caixa" devido à sigla CX e ao formato retangular da sua traseira) é um dos automóveis familiares e de carga mais extraordinários da história automóvel. Lançado em janeiro de 1976 para suceder à lendária DS Break, este modelo esteve em produção até 1991, tornando-se o veículo de eleição para famílias numerosas, transporte expresso e corporações de bombeiros de norte a sul do país.
1. A Filosofia da "Caixa Perfeita" (Design e Espaço)
Desenhado sob a direção de Robert Opron, o CX Break utilizava o chassis longo da marca (com uma impressionante distância entre eixos de 3,09 metros). O grande trunfo mecânico foi a instalação dos cilindros da suspensão traseira numa posição 100% horizontal, embutidos sob o piso.
Isto eliminou as habituais bossas das rodas na bagageira, criando paredes laterais totalmente verticais e um vão de carga retangular perfeito.
Oferecia um comprimento interior útil de 2,03 metros e uma volumetria recorde de 2.030 litros de carga (2.172 litros na versão comercial Enterprise de 2 lugares).
A variante Familiale destacava-se por oferecer 8 lugares reais, distribuídos por três filas de bancos viradas para a frente.
2. A Tríade Tecnológica: Conforto, Estabilidade e Segurança
O CX Break utilizava um circuito centralizado de alta pressão alimentado por óleo mineral verde (LHM), que operava entre 140 e 170 bar para gerir três sistemas revolucionários:
Suspensão Hidropneumática (Esferas de Azoto): Garantia o icónico efeito de "tapete voador". Sendo autonivelante, mantinha a carrinha milimetricamente à mesma altura ao solo, quer estivesse vazia ou carregada com a sua capacidade máxima de 715 kg.
Direção DIRAVI: Uma direção assistida de alta pressão com retorno automático estático ao centro (mesmo com o carro parado) e endurecimento progressivo com a velocidade. Oferecia isolamento total: se um pneu rebentasse a 140 km/h, o volante mantinha-se imóvel e o carro estável.
Travagem Hidráulica: Acionada pelo botão de pressão no piso ("cogumelo"), tinha um repartidor automático indexado à carga traseira. Quanto mais peso o carro levava atrás, mais os travões traseiros mordiam, fazendo o veículo travar perfeitamente plano.
3. A Linhagem Diesel (A Gama TRD)
A carrinha cimentou a sua reputação de estradista incansável de longo curso graças aos seus indestrutíveis motores de 2.5 litros (2498 cc):
CX 25 D / RD (75 cv): Atmosférico, económico e virtualmente eterno (superava facilmente os 500.000 km), muito popular em táxis e ambulâncias.
CX 25 TRD Turbo (95 cv): Lançado em 1983, transformou o CX na carrinha Diesel mais rápida da Europa (171 km/h).
CX 25 TRD Turbo 2 (120 cv): Introduzido em 1987 com Intercooler, atingia os 188 km/h com uma entrega de binário bruta e selvagem, tornando-se a rainha do transporte expresso de mercadorias (como a famosa "rota do peixe" em Portugal).
4. O Impacto em Portugal e o Fim de Linha
O CX teve uma forte ligação industrial ao nosso país através da fábrica da Citroën em Mangualde, onde cerca de 1.800 unidades do modelo foram montadas em regime CKD entre 1977 e 1983, com grande foco na adaptação manual do complexo sistema hidráulico e na personalização de ambulâncias nacionais.
A produção terminou no verão de 1991 na carroçadora Heuliez. A integração da Citroën no Grupo PSA exigiu a partilha de plataformas (ditando o fim da arquitetura exclusiva do CX) e o mercado dos anos 90 exigia a entrada da eletrónica e de novos padrões de segurança ativa/passiva, abrindo caminho para a sua sucessora, a carrinha Citroën XM Break. Hoje, a CX "Caixa" é uma autêntica e disputada raridade de coleção.




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