OSI City-Daf
Apresentado no Salão Automóvel de Turim de 1966, foi desenhado por Sergio Sartorelli na OSI, a empresa de design e carroçaria sediada em Turim que esteve ativa durante os anos mais criativos da época. Construído sobre um chassis DAF Daffodil encurtado, o projeto visava imaginar um carro urbano mais inteligente muito antes de a palavra "supermini" fazer parte do vocabulário automóvel.
O que diferenciava o DAF City não eram apenas suas proporções compactas, mas também seu layout de acesso altamente original. Do lado do motorista, o carro utilizava uma única porta deslizante que funcionava com um sistema de trilho e esfera semelhante ao de veículos comerciais, permitindo que o motorista entrasse sem precisar abrir a porta para o trânsito. Do lado do passageiro, a OSI instalou uma porta dianteira convencional e uma porta traseira com abertura invertida, criando uma ampla entrada e saída para facilitar o acesso pelo lado da calçada.
Por baixo da carroceria, o City manteve-se fiel à plataforma dos carros compactos da DAF. Conservou o motor de dois cilindros e 746 cc e a famosa transmissão CVT Variomatic da marca, que utiliza correias em V e polias de diâmetro variável em vez de uma caixa de câmbio convencional. A distância entre eixos foi reduzida para cerca de 197,5 cm, o que contribuiu para conferir ao protótipo um perfil compacto ideal para a cidade.
O conceito também incluía detalhes práticos que o faziam parecer mais avançado do que muitos carros de produção da época. Os relatos mencionam janelas laterais deslizantes, compartimentos de armazenamento no painel e nas portas, luzes de ré e proteção de borracha nos para-choques para reduzir danos durante o estacionamento. O banco traseiro podia ser rebatido para ampliar o espaço de carga, tornando o carro mais versátil do que suas dimensões diminutas sugeriam.
O design da OSI era quadrado, porém inteligente, e cada forma tinha uma função. A linha de teto alta dava uma sensação de maior usabilidade à cabine, enquanto a disposição incomum das portas facilitava o acesso em espaços urbanos apertados. A porta traseira era articulada no painel do teto, enfatizando ainda mais a praticidade do carro e maximizando a flexibilidade de carga.
Segundo descrições da época, o City-Daf media cerca de 3,015 metros de comprimento e 1,47 metros de altura, ficando aproximadamente entre o Fiat 500 e o Mini em tamanho. Essa era uma fórmula muito inovadora em 1966, quando a maioria dos carros pequenos ainda seguia layouts mais básicos e menos eficientes em termos de espaço.
Apesar de sua originalidade, o DAF City nunca chegou à produção. A DAF não tinha recursos para transformar a proposta da OSI em um modelo comercial, então o projeto permaneceu apenas como um protótipo. Mesmo assim, foi bem recebido por sua criatividade e pensamento prático, tornando-se um daqueles carros-conceito que anteciparam o futuro sem nunca chegar às ruas.
Em retrospectiva, o DAF City parece um protótipo que chegou cedo demais. Seu foco em dimensões compactas, fácil acesso e usabilidade urbana antecipou ideias que se tornariam comuns muito mais tarde em carros pequenos europeus. Hoje, ele se destaca como uma interessante colaboração entre a engenharia holandesa e o design italiano — um lembrete de que algumas das ideias mais inteligentes para carros urbanos já estavam sendo exploradas em meados da década de 1960
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